Verona em um dia com crianças: nosso bate-volta e tudo o que ficou para a próxima

Verona sempre esteve naquela lista de lugares que eu queria conhecer na Itália, mas que, por algum motivo, continuava ficando para depois. Até que resolvemos transformar um sábado comum em um bate-volta em família.

Saindo da região da Brianza, na Lombardia, as pesquisas indicavam aproximadamente 2h10 de carro. Então fizemos o que toda família muito organizada faz: planejamos sair às 8h e, no dia anterior, já deixamos tudo encaminhado.

Quando entramos no carro e colocamos Verona no GPS, veio a primeira surpresa boa: 1h45 de viagem!

Já começamos o passeio ganhando quase meia hora. E, com duas crianças no carro, meia hora a menos não é um detalhe. É praticamente um presente.

Preparativos: porque criança sempre sente fome

No dia anterior, preparamos nosso pequeno estoque de sobrevivência: água, focaccia, pizzette e Estathé.

Aliás, gente: Estathé! Estate significa verão em italiano. Como eu nunca tinha parado para perceber isso antes?

Levamos lanche para as crianças e para nós, porque já aprendemos que, em passeio com filhos, a fome costuma aparecer justamente quando não há nenhum lugar conveniente por perto.

O plano funcionou — mais ou menos.

A Luísa não quis comer no carro e chegou a Verona já com fome. Ou seja: você pode preparar a focaccia, separar a pizzetta, levar a bebida e organizar tudo direitinho. Só não pode combinar com a criança o momento em que ela vai aceitar comer. Faz parte.

Também levamos a comidinha do Leonardo pronta de casa, o que acabou facilitando bastante o nosso dia.

Onde estacionamos em Verona

Deixamos o carro no estacionamento da estação ferroviária Verona Porta Nuova. Para quem chega de carro, é um ponto fácil de encontrar e ainda evita aquela preocupação de entrar sem querer em uma área de tráfego limitado do centro.

Só é importante saber que, da estação até a Piazza Bra e a Arena, há uma boa caminhada.

Colocamos o Leo no carrinho, a Lulu foi equipada com boné e óculos de sol, eu ativei a função “caminhada” no Amazfit e… andiamo!

Para nós funcionou bem, mas, em um dia muito quente ou com crianças que não gostam de caminhar, talvez seja interessante pesquisar um estacionamento mais próximo. Se optar pela estação, já vá sabendo que o passeio começa antes mesmo de chegar ao centro histórico.

A primeira impressão de Verona

 

Chegamos por volta das 10h e fomos seguindo em direção ao centro. Quando passamos pelos Portoni della Bra, a paisagem começou a mudar: prédios históricos, ruas lindas, vitrines maravilhosas e aquele movimento gostoso de cidade turística italiana.

E então demos de cara com ela.

A Arena de Verona.

Maravilhosa, enorme e imponente. Eu sabia que era um dos principais símbolos da cidade, mas não imaginava que ficaria tão encantada ao vê-la pessoalmente.

A Arena e minha nova obsessão: assistir a uma ópera ali

Enquanto observávamos a Arena, percebi a estrutura e a movimentação das apresentações que acontecem durante o verão. Foi aí que entendi: eles realmente montam grandes espetáculos de ópera dentro daquele anfiteatro romano.

Eu não sabia da dimensão disso e achei simplesmente incrível.

Depois, já em casa, fui pesquisar melhor — porque eu sou exatamente esse tipo de pessoa que visita um lugar e só depois descobre outras quinze coisas que poderia ter feito por lá.

Todos os anos, durante o verão, acontece o Arena di Verona Opera Festival, com produções grandiosas como Aida, Nabucco, Turandot e La Traviata.

E não é necessariamente um programa impossível ou reservado apenas para ocasiões muito especiais. Dependendo do espetáculo e do setor, há ingressos mais econômicos, inclusive para os degraus de pedra, a partir de aproximadamente €25 ou €30.

Pronto. Saí contando para todo mundo que agora quero assistir a uma ópera na Arena de Verona. Contei para o Angelo, para a minha mãe… e minha mãe já ficou tão empolgada quanto eu.

Imaginem assistir a La Traviata ali, à noite, em pleno verão italiano? Dá para sonhar!

Se essa ideia também entrou na sua cabeça, consulte a programação oficial da Arena de Verona, porque as datas, os espetáculos e os valores mudam a cada temporada.

O almoço do Leo — no meio do caminho mesmo

Depois de explorarmos um pouco o centro, chegou a hora do Leonardo comer.

Como tínhamos levado a comida dele pronta, só precisávamos encontrar um lugar onde fosse possível parar. Achamos uma pracinha e foi ali mesmo que ele almoçou.

O Leo já está acostumado a fazer refeições nos lugares mais inusitados durante nossos passeios. Banco de praça, cantinho tranquilo, parada estratégica no meio do caminho… onde aparecer uma oportunidade, montamos o restaurante.

E, no fim, essas cenas acabam sendo algumas das lembranças mais bonitinhas das nossas viagens.

Depois do almoço, ele decidiu que não queria mais saber do carrinho. Então lá fui eu andando de mãos dadas com ele, devagarinho, em meio à multidão do centro histórico.

Casa de Julieta: vimos a fila e deixamos para a próxima

Foi justamente nesse momento que chegamos à região da Casa de Julieta.

Havia bastante gente e uma fila considerável. Com o Leo querendo caminhar sozinho, o movimento intenso e o restante do passeio pela frente, acabamos não entrando.

Confesso que fiquei com vontade, então essa já é uma das razões para voltarmos a Verona com mais calma.

Desde abril de 2026, o acesso à Casa de Julieta foi reorganizado e passou a ser feito pelo Teatro Nuovo, na Piazzetta Navona. Hoje existem duas opções:

  • Teatro Nuovo e pátio da Casa de Julieta: €5;
  • Teatro Nuovo, pátio e interior da casa: €12.

Os valores e as regras podem mudar, então vale conferir tudo no site oficial dos Museus de Verona.

Minha conclusão depois de ver aquela fila: se a Casa de Julieta for importante para você, compre o ingresso antes. Principalmente no verão ou nos fins de semana. Não conte com a possibilidade de chegar tranquilamente, entrar e tirar uma fotografia sozinha na varanda. Verona inteira provavelmente teve a mesma ideia.

Onde comemos em Verona

Na hora do nosso almoço, paramos no Brus.co Panini, na Via Pellicciai, 7.

E, já que estávamos na cidade de Romeu e Julieta, entramos totalmente no personagem: eu pedi o panino Giulietta e o Angelo escolheu o Romeo.

O Giulietta leva mortadela, creme de pistache, stracciatella e pistache granulado. No dia da nossa visita, custou aproximadamente €10.

O Romeo, que custou por volta de €8, é preparado com pancetta arrotolata, fonduta de pecorino, tomates secos e rúcula.

Achei uma opção gostosa e prática para quem não quer interromper o passeio com um almoço demorado.

Já a Luísa quis pizza. Compramos uma margherita no Pizzium, pedimos da asporto e pagamos €8.

No fim, cada integrante da família almoçou uma coisa diferente — inclusive o Leonardo, que já tinha feito sua refeição especial na pracinha. Organização familiar também é aceitar que, às vezes, ninguém vai comer a mesma coisa.

Ainda paramos em uma loja de doces com temática de pirata e compramos algumas coisinhas. Não estava nos planos, claro. Mas tente explicar para uma criança que aquela loja maravilhosa de doces não faz parte do roteiro cultural do dia.

O que realmente fizemos nesse primeiro passeio

Nossa primeira visita a Verona foi muito mais uma caminhada para sentir a cidade do que um roteiro completo.

Chegamos por volta das 10h, caminhamos pelo centro histórico, vimos a Arena por fora, passeamos pelas ruas comerciais, conhecemos a região da Casa de Julieta, paramos para comer e depois começamos o caminho de volta até o estacionamento.

Foi um passeio leve, sem aquela pressão de cumprir uma lista enorme de atrações com duas crianças.

Mas aí chegamos em casa e eu fui pesquisar melhor o que havia para fazer em Verona.

E descobri a Arena por dentro, a Ponte Pietra, Castelvecchio, o Castel San Pietro e até pequenas casas de gnomos e fadas escondidas pela cidade.

Ou seja: fizemos um passeio lindo e, ao mesmo tempo, voltamos com motivos suficientes para organizar outro.

O roteiro que eu faria na próxima vez

Depois de tudo o que pesquisei, eu organizaria um segundo dia em Verona assim:

Pela manhã

  1. Chegaria cedo à Piazza Bra;
  2. entraria na Arena de Verona;
  3. caminharia pela Via Mazzini;
  4. visitaria a Casa de Julieta com ingresso reservado;
  5. passaria pela Piazza delle Erbe e pela Piazza dei Signori.

Depois do almoço

  1. Caminharia até a Ponte Pietra;
  2. subiria ao Castel San Pietro para ver Verona do alto, se as crianças ainda estivessem animadas;
  3. conheceria Castelvecchio e a Ponte Scaligero.

Agora, sendo muito realista: com duas crianças pequenas, eu não tentaria entrar em tudo no mesmo dia.

Escolheria a Arena e a Casa de Julieta como atrações principais. O restante seria conhecido durante a caminhada, sem transformar o passeio em uma maratona — porque ninguém precisa terminar o dia exausto e brigando na frente de um monumento histórico.

Sim, Verona tem pequenas casas de gnomos e fadas

Essa foi outra descoberta que fiz quando já estava em casa: Verona esconde pequenas portas de fadas e gnomos, chamadas de porticine fatate.

Algumas podem ser encontradas na Via Nizza e em outros cantinhos da cidade. Elas são minúsculas, ficam próximas ao chão e passam facilmente despercebidas por quem não sabe que estão ali.

Achei uma ideia muito bonitinha para fazer com as crianças. Na próxima visita, quero transformar a procura pelas portinhas em uma espécie de caça ao tesouro com a Lulu e o Leo.

Mais um item acrescentado à lista — que, a essa altura, já está quase virando outro artigo.

Afinal, Verona vale a pena para um bate-volta?

Vale muito.

Verona é bonita, agradável para caminhar e tem aquele tipo de centro histórico em que você não precisa estar entrando em atrações o tempo inteiro para sentir que está conhecendo a cidade.

Nosso passeio não foi completo — e tudo bem. Conhecemos Verona de uma forma leve, respeitando o ritmo das crianças, e voltamos para casa com vontade de retornar.

Na próxima vez, quero entrar na Arena, visitar a Casa de Julieta com calma, atravessar a Ponte Pietra, conhecer Castelvecchio e procurar as pequenas casas de gnomos.

E, em algum momento, quero voltar sem pressa, à noite, para realizar meu mais novo sonho italiano: assistir a uma ópera dentro da Arena de Verona.

No fim, talvez um bom bate-volta não seja aquele em que conseguimos riscar todos os lugares de uma lista. Talvez seja justamente aquele que nos faz chegar em casa pensando: quando podemos voltar?


Informações práticas

  • Destino: Verona, região do Vêneto;
  • Tipo de passeio: bate-volta em família;
  • Saída: região da Brianza, na Lombardia;
  • Tempo indicado inicialmente: aproximadamente 2h10;
  • Tempo mostrado pelo GPS no dia: 1h45;
  • Horário de saída: 8h;
  • Horário aproximado de chegada: 10h;
  • Estacionamento utilizado: estação Verona Porta Nuova;
  • Deslocamento no centro: a pé e com carrinho de bebê;
  • Almoço: Brus.co Panini e Pizzium;
  • Principal dica: reserve com antecedência as atrações que forem prioridade e considere a caminhada entre a estação e o centro.

Valéria Tonielo

Olá, eu sou a Valéria! Brasileira, advogada de formação e apaixonada por viagens, história e fotografia. Depois de muitos anos sonhando, hoje moro na Itália, na cidade de Renate, na região da Lombardia, junto com meu marido e nossos dois filhos. Aqui no blog, compartilho dicas práticas de viagem, roteiros, experiências e também um pouco da nossa vida em família na Itália. Acredito que viajar e viver novas culturas transforma a maneira como enxergamos o mundo — e quero inspirar você a tornar seus planos realidade, seja para uma viagem inesquecível ou para uma nova etapa de vida fora do Brasil. Espero que, através das nossas histórias e dicas, você encontre motivação e informações valiosas para criar sua própria jornada.

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